Novo contrato do Corinthians com a Nike prevê fornecimento de até 60 mil itens por ano

Timão apura denúncias internas de desvios de uniformes e sucateamento do almoxarifado; novo acordo deve permitir chegada de até R$ 20 milhões em produtos por temporada

| GLOBOESPORTE.COM / BRUNO CASSUCCI, GABRIEL OLIVEIRA E YAGO RUDá


Camisa 2 do Corinthians para a temporada 2025 — Foto: Corinthians
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Cotações

Assinado em agosto deste ano, o novo contrato entre Corinthians e Nike - válido até o fim de 2035 - prevê a entrega anual de até 60 mil itens de material esportivo ao clube do Parque São Jorge. O custo estimado dos produtos fornecidos pela empresa americana é de R$ 15 milhões a R$ 20 milhões. 

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No atual contrato, com validade até o fim deste ano, o Corinthians tem direito a receber até R$ 4 milhões em itens da Nike para atender demandas de todos seus departamentos - futebol masculino, futebol feminino, categorias de base, esportes terrestres, esportes aquáticos e pedidos especiais da diretoria para relacionamento com parceiros.

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O clube, no entanto, estourou o limite nos dois últimos anos. Conforme demonstrado pelo ge nesta segunda-feira, o Corinthians recebeu 41.963 itens da Nike até 10 de outubro deste ano e 33.902 durante o ano de 2024, totalizando R$ 23.772.090,37 em produtos da empresa americana. 

Houve um aumento de quase 300% da cota acordada com a Nike. 

No novo contrato, que passará a ser válido em janeiro do ano que vem, o clube do Parque São Jorge terá uma margem maior de itens à sua disposição. A ideia é de que o fornecimento da Nike atenda a demanda interna e vista todas as delegações esportivas do Timão em treinamentos, viagens e jogos. 

Ao todo, a Nike pagará R$ 59 milhões fixos ao Corinthians por temporada até 2035 com os valores sendo corrigidos anualmente pela inflação, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC). O contrato pode chegar ao teto de R$ 1,3 bilhão, a depender de metas atingidas pelo Alvinegro. 

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Investigação e vice-presidente na mira 

Internamente, o Corinthians apura uma série de irregularidades e desvios do material esportivo dentro do Parque São Jorge. De acordo com a auditoria assinada por Marcelo Munhoes, diretor de tecnologia do Corinthians, foram identificadas uma série de erros na gestão dos materiais fornecidos pela Nike. No documento, o gestor aponta sete ocorrências graves. São elas:

Acúmulo de materiais esportivos de coleções anteriores, armazenados por longos períodos sem destinação definida;Parte dos uniformes enviados pela Nike não é devidamente distribuída aos departamentos e modalidades esportivas do clube;Ausência de inventário físico formal no almoxarifado do Parque São Jorge há mais de quatro anos;Notas fiscais de recebimento não lançadas no sistema, ocasionando inconsistências contábeis e exposição a riscos fiscais;Distribuição desigual de uniformes entre diretores, funcionários e atletas, aliada à falta de planejamento nos pedidos à Nike;Retirada de materiais antes da conclusão do fluxo completo de aprovações, contrariando o controle interno previsto e enfraquecendo o processo de governança;Retirada de materiais por solicitantes incorretos, o que fragiliza o controle de responsabilidade e dificulta a rastreabilidade de consumo por área ou modalidade.

O relatório da investigação coloca o vice-presidente Armando Mendonça, responsável pela administração dos materiais no clube, no centro de parte das ações consideradas como inconformidades, como a retirada direta de itens sem registro formal ou autorização prévia.

O documento aponta que Mendonça "demonstrou tom de preocupação em relação ao andamento dos trabalhos de auditoria" e usou "expressões de natureza agressiva e alusões interpretadas como ameaças" em conversas com o diretor de Tecnologia do Corinthians, Marcelo Munhoes, responsável por comandar a auditoria.

Além da má gestão, há indícios de que sucateamento do almoxarifado do Parque São Jorge, não lançamento de notas fiscais durante os anos de 2024 e 2025, materiais em condições precárias aos meninos e meninas das categorias de base e, por fim, desvio de camisas por funcionários do clube para o comércio clandestino. 



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