Tentativa de soco de Edmundo e quase corte: Régis conta bastidores da classificação do Fluminense sobre o Vasco em 2000

Zagueiro marcou gol no jogo de ida da eliminatória e ajudou o Tricolor em momento de reconstrução a eliminar time histórico vascaíno

| GLOBOESPORTE.COM / GIBA PEREZ


Régis faz gol sobre o Vasco no Maracanã — Foto: Arquivo Pessoal
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O Fluminense tem nesta quinta-feira a missão de iniciar a eliminatória da Copa do Brasil contra o Vasco em busca da vaga na decisão. O objetivo que os comandados de Luís Zubeldía buscam é o que já foi feito apenas uma vez na história do clube, em 2000, dentro de São Januário, nas oitavas de final.

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Os rivais se encontravam pela primeira vez na competição nacional, mas em situação bem diferente da atual. O Flu voltava à elite depois de disputar a Série C em 1999, o pior momento de sua história. Já o Vasco vivia o auge: campeão brasileiro em 1997, da Libertadores em 1998 e viria a repetir a conquista nacional ao final daquele ano sobre o São Caetano.

A eliminatória foi um dos pontos que começou a incendiar a forte rivalidade que hoje têm os clubes, com provocações fora do campo e uma classificação surpreendente dos tricolores por conta dos gols marcados fora de casa. A ida no Maracanã terminou em 1 a 1: Régis abriu o placar para o Fluminense, e Pedrinho, hoje presidente do Vasco, empatou a partida. Mas o defensor tricolor quase não esteve em campo naquela partida.

— Aconteceu uma situação inusitada comigo. Esse bastidor ninguém sabe. Eu fiquei fora do jogo do final de semana, que era do Campeonato Carioca. Eu fui para Porto Alegre visitar minha família e aí eu ia embora na segunda para pegar o treino à tarde, que era às 16h. Eu perdi o voo e fiquei apavorado. Fiquei naquela assim, “caramba, e agora? O que eu faço?'. Liguei para o Cacau [Barbosa, dirigente do clube]. Perguntei “e agora, como é que eu explico para o Espinosa? Capaz até de me tirar do jogo'. Daí ele disse: “Não, deixa que eu vou dar um jeito. Pega o voo próximo e vem. Vai direto para a concentração' — contou o ex-zagueiro em entrevista exclusiva ao ge.

O gol marcado por Régis foi aos 24 minutos do primeiro tempo, e a vantagem tricolor durou pouco. Quatro minutos depois, Pedrinho igualou o placar e manteve o nível alto de tensão no gramado do Maracanã.

A partida de ida foi protagonizada ainda por um duelo particular entre o defensor tricolor e o atacante Edmundo durante os 90 minutos. A disputa física, em uma era sem VAR, rendeu um desentendimento que quase terminou mal.

— Eu tive alguns arranca-rabos com o Edmundo. Porque ele estava me segurando e eu tentando sair dele. Quando me soltei, eu usei o braço e pegou na cara dele. O Edmundo enlouqueceu. Acabou o primeiro tempo e o Fabinho, volante, falou assim: “Toma cuidado que eu conheço o Edmundo. Ele vai tentar te dar um soco'. Quando eu estou vindo assim, eu vejo uma mão e aí tirei. O Fabinho falou: “Viu? Te avisei. Te prepara para o jogo em São Januário'. No jogo em São Januário foi pau a pau. Braçada e mãozada para tudo que era lado. Não tinha VAR, né? — contou rindo o ex-jogador.

Se no primeiro jogo Régis foi herói no ataque, no segundo ele apareceu para salvar atrás e garantir a vaga nos minutos finais do segundo tempo. Depois de abrir 2 a 0 dentro de São Januário com Magno Alves e Agnaldo, o Flu cedeu o empate com Edmundo marcando duas vezes.

Aos 45 do segundo tempo, Zetti deu rebote de um chute para dentro da área e Régis apareceu no último segundo para fazer o corte e evitar o terceiro gol do atacante, que daria a classificação aos vascaínos. A partida terminou com confusão entre César e Viola, além da classificação do Fluminense para as quartas de final.

O confronto foi ainda recheado de provocações por parte de Eurico Miranda, à época vice-presidente de futebol do Vasco. O dirigente chegou a afirmar publicamente que não pagaria bicho contra time de terceira divisão e, mesmo após a derrota, voltou a debochar do rival dizendo que seu time havia “ressuscitado' um defunto.

— Uma coisa que a gente lembra bastante, que deixou a gente bastante chateado, foi o Eurico Miranda desprezar a gente. Então foi uma das coisas que falamos: “Vamos jogar para ganhar esse jogo. Mas vamos mostrar para a gente. Não para ele. Vamos ganhar a classificação deles dentro de campo. Sem falar nada. Todo mundo é profissional, mas o Vasco tinha aquela coisa: ‘Nós vamos pegar o Fluminense e passar por cima deles’'. Só que acabaram se dando mal — contou Régis.

Carrasco vascaíno

Revelado pelo Internacional, Régis chegou ao Fluminense em 2000 para ser um dos reforços que ajudaria na reconstrução do clube após a queda para a terceira divisão e o retorno à elite. Ele já havia sido procurado em 1999, mas optou por permanecer perto da família em Porto Alegre.

Em janeiro, o clube voltou a procurá-lo e aí ele entendeu que era momento de um novo desafio no Rio de Janeiro. Em duas temporadas e meia no Tricolor, foram 107 partidas e sete gols marcados, sendo quatro deles em clássicos — um contra o Flamengo e três contra o próprio Vasco. Esses últimos gols fazem dele o segundo zagueiro que mais vezes marcou contra o rival com a camisa do Flu, atrás apenas de Pinheiro, lenda do clube que fez mais de 605 partidas.

— Claro que fazer gol em clássico é diferente. Eu nunca tinha feito gol no Gre-Nal. Isso te ajuda a se tornar ídolo dentro do clube. Para mim foi uma coisa bem especial, que me marcou para sempre. Infelizmente eu não fui muitas vezes campeão. A gente sabe que o que marca mais é quando tu é campeão. Se eu tivesse sido campeão do Brasileiro, seria muito mais lembrado — lamentou.

Aposentado desde 2010, Régis não ficou longe do futebol. Teve algumas passagens como treinador, incluindo uma pelo Boavista, no Rio de Janeiro, e hoje mora nos Estados Unidos, onde se dedica à carreira de agente de jogadores.

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