Esportes
Hamilton elogia lado humano de Senna e se empolga antes da F1 2026: "Chego diferente"
Em entrevista ao "Corriere della Sera", piloto opinou sobre temas sociais e disse que Ayrton tinha "visão ampla". Heptacampeão também afirmou que novo carro da Ferrari tem um pouco de seu DNA
| GLOBOESPORTE.COM / REDAçãO DO GE
Lewis Hamilton chega à temporada de 2026 da Fórmula 1 motivado com o novo carro da Ferrari e, ao mesmo tempo, consciente do mundo ao seu redor. O heptacampeão da Fórmula 1 concedeu entrevista ao jornal italiano “Corriere della Sera' e não se limitou às pistas: também tratou de assuntos como racismo e representatividade.
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O piloto de 41 anos foi um dos produtores de “F1: O filme' e disse que as escolhas dos personagens tentavam passar uma mensagem – uma mulher foi colocada na chefia da parte aerodinâmica da escuderia, além de um mecânico negro. Hamilton explicou que, após o filme, recebeu muitas mensagens de fãs em grupos minoritários querendo saber como ingressar na Fórmula 1.
Por causa disso, Lewis disse que faz questão de insistir em temas sociais e citou um de seus ídolos como exemplo: Ayrton Senna. Na visão do ferrarista, o tricampeão tinha uma visão ampla sobre o tema em sua época. Para Hamilton, isso era algo que tornava o brasileiro especial.
– O Ayrton não era só um campeão fantástico, mas também uma pessoa maravilhosa. Ele tinha uma visão muito mais ampla que a de outros pilotos. Poucas pessoas hoje falam sobre temas como sustentabilidade, direitos das crianças e racismo – disse Hamilton, antes de prosseguir:
– Com a visibilidade que temos, podemos ajudar muito. Todo mundo é livre para fazer o que acha que é certo, mas acho que seria legal de ver mais comprometimento. Você pode competir e fazer o bem ao mesmo tempo. Eu senti esse desejo, esse ímpeto a partir de uma certa idade – concluiu.
Ao ser questionado sobre um livro que indicaria para as crianças, Hamilton citou a biografia de Nelson Mandela, líder do movimento contra o Apartheid e ex-presidente da África do Sul. O piloto mencionou o sul-africano como um de seus heróis, em lista que também inclui Senna.
– Tenham uma biografia do Nelson Mandela. Quando eu comecei a aprender sobre ele, ele me inspirou muito. O Mandela é meu herói, junto com o Muhammad Ali, Super-Homem e o Senna.
Um dos empreendimentos de Lewis Hamilton é a Mission 44, uma organização não-governamental (ONG) criada para dar oportunidades a jovens. A iniciativa acontece em parceria com a Fórmula 1 e apoia outros projetos ao redor do mundo - três deles no Brasil.
Hamilton se diz "diferente" em 2026
Nem só de temas sociais e ídolos falou Hamilton. O piloto abordou as expectativas para 2026 com a Ferrari, em um ano com novos carros e regras na categoria. Em meio às mudanças, a equipe tenta se recuperar depois de um 2025 sem vitórias; o britânico sequer conseguiu chegar ao pódio, fato inédito na carreira.
Lewis revelou que olhou para dentro de si e encontrou respostas sobre a queda de desempenho. O heptacampeão disse que pretende encarar a atual temporada de forma mais leve, sem se deixar levar pelas responsabilidades, e chegou a citar o calendário chinês como motivação: o animal regente em 2026 é o cavalo, símbolo da Ferrari.
– Esse é o ano do Cavalo de Fogo de acordo com o calendário chinês. Ele representa liberdade, o desejo de libertar sua mente da pressão e focar de novo em valores fundamentais. No momento em que você se deixa levar pela responsabilidade, corre o risco não só de se perder, mas também perder a diversão. Precisamos redescobrir a alegria. Quando revelamos o novo carro, eu me senti feliz como uma criança – disse.
Na última temporada, Hamilton terminou 86 pontos atrás do companheiro de equipe Charles Leclerc na classificação geral, o que lhe rendeu apenas o sexto lugar na tabela. Embora esteja motivado para alcançar o piloto de Mônaco neste ano, Lewis disse que não quer dividir os torcedores e se considera “diferente' em relação a 2025:
– A Ferrari é uma coisa: na Itália e fora, as pessoas seguem como uma religião e amam como o Papa. Meu objetivo não é dividir a torcida; nós dois queremos ganhar, e é claro que gostaria de ser eu (a acabar à frente de Leclerc), estou trabalhando para isso. Mas a equipe vem em primeiro lugar. O Charles é um piloto fenomenal em termos de estilo de pilotagem e ética, e está aqui há oito anos. Mas eu chego diferente a este campeonato.
O veterano explicou o que, na visão dele, mudou em relação ao ano anterior:
– Eu trabalhei no carro de 2026 por 14 meses, no simulador e com os engenheiros. Comparado ao anterior, que eu encontrei já desenhado e podia mudar muito pouco, esse carro tem um pouco do meu DNA nele. Estou empolgado com isso – afirmou.
A estreia de Hamilton na Fórmula 1 2026 vai acontecer no domingo, data do GP da Austrália. A corrida acontece à 1h (de Brasília) e terá transmissão ao vivo da TV Globo.
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