Esportes
Penúltimo no grid do Japão, Alonso critica nova cara da F1: "Habilidade do piloto não é mais necessária"
Espanhol de 44 anos se incomoda com fato de curvas rápidas de Suzuka terem se transformado em trechos lentos, devido à necessidade de recarregar energia dos carros
| GLOBOESPORTE.COM / REDAçãO DO GE
A Aston Martin vive um início de temporada turbulento na Fórmula 1. A equipe ainda não conseguiu completar uma prova, e seus carros largarão das últimas duas posições no GP do Japão deste domingo (29), em Suzuka. Diante dos problemas enfrentados e sem grandes perspectivas de melhora em um futuro próximo, o bicampeão Fernando Alonso não esconde a frustração. Piloto mais experiente do grid, o espanhol de 44 anos fez duras críticas ao regulamento de 2026.
O GP do Japão ocorrerá na madrugada de sábado para domingo, a partir das 2h, com transmissão do sportv3, da TV Globo e do ge.
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O principal incômodo é com o fato de o gerenciamento de energia dos motores impactar a dinâmica das corridas. A partir deste ano, a parte elétrica representa 50% da potência total dos carros, e os pilotos precisam usar pontos de frenagem para recarregar a bateria. Como o circuito de Suzuka é rápido, há poucas áreas propícias para a recuperação dos veículos. Assim, curvas de alta velocidade se tornam trechos mais lentos, o que incomoda Alonso:
– As curvas rápidas se tornaram pontos para você recarregar energia do carro. Reduzimos a velocidade, recarregamos a bateria e ficamos com potência total para as retas. Com isso, a habilidade do piloto não é mais necessária. Basta soltar o acelerador ou desconectar a bateria para recarregá-la. Não há mais desafios em curvas de alta velocidade – comentou o espanhol, que sairá da 21ª e penúltima posição no GP do Japão, ainda à frente do companheiro de equipe, Lance Stroll.
De uma forma geral, o regulamento de 2026 tem gerado reações variadas de pilotos. Lewis Hamilton, por exemplo, disse achar divertida a nova caracterização da Fórmula 1. Max Verstappen, por outro lado, se junta a Alonso nas críticas enfáticas às mudanças promovidas na categoria. A importância da parte elétrica é um dos pontos mais polêmicos desta temporada, e o holandês da Red Bull comparou os carros com o jogo “Mario Kart'.
Ciente das críticas à nova configuração da F1, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) já anunciou mudança. Houve uma redução no limite de recarga de energia na classificação do GP do Japão. O objetivo era preservar o equilíbrio entre o uso de energia pelos carros e o desempenho dos pilotos na pista, de forma que a performance humana não fosse amplamente superada por questões mecânicas.
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Para Alonso, alterações feitas por FIA e F1 ainda podem melhorar o cenário da temporada de 2026. Mas o bicampeão não crê que a habilidade dos pilotos seja responsável por vitórias ou grandes exibições. Na visão do espanhol, ficou impossível levar os carros ao limite, porque o regulamento se preocupa demais com o tema da energia, e o fator humano perdeu relevância.
– Eu disse a vocês (jornalistas) no Bahrein (durante a pré-temporada da F1) que até um chefe de cozinha agora pode dirigir o carro. Talvez não um chefe, mas acho que pelo menos 50% dos membros da equipe conseguem pilotar em Suzuka – disse Alonso.
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