Mirassol nas alturas: saiba estratégia contra a altitude no 1° jogo do clube fora do país

Leão joga pela Libertadores contra a LDU, em Quito, cidade do Equador que é a segunda capital mais alta do mundo

| GLOBOESPORTE.COM / ARCíLIO NETO


Time do Mirassol faz corrente no CT do Independiente Del Valle, no Equador — Foto: Pedro Zacchi/Agência Mirassol
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A ascensão meteórica, da Série D 2020 até a Libertadores 2026, está levando o Mirassol para o alto. Literalmente... afinal o primeiro voo internacional da história do clube foi para Quito, cidade do Equador que está a 2.850 metros acima do nível do mar e é a segunda capital mais alta do mundo.

Com isso, além da LDU, o Leão também vai enfrentar a temida altitude. E não será a única vez, já que o próximo compromisso do time amarelo e verde fora de casa, nesta fase de grupos, será em um terreno ainda mais perto das nuvens.

O duelo da quinta rodada será diante do Always Ready, da cidade de El Alto, na Bolívia, a 4,1 mil metros de altitude. Nenhuma equipe brasileira (e nem a Seleção) conseguiram vencer nesta cidade, que está acima da capital La Paz.

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Com isso, o Mirassol traçou uma estratégia para minimizar os efeitos nos jogadores para a partida de Quito, marcada para esta terça-feira, às 23h (de Brasília).

A primeira medida foi fazer a viagem com o máximo de antecedência possível. O Leão jogou no último sábado, pelo Brasileirão, contra o Bahia. Com isso, viajou no dia seguinte, no domingo à tarde, rumo a Quito, chegando 50 horas antes do jogo da segunda rodada da fase de grupos da Libertadores.

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Outra ação foi começar a recuperação muscular já dentro do avião. Os jogadores usaram as botas “recovery' para acelerar o ganho físico em meio às seis horas de voo.

O mentor do plano foi o médico do clube, Francys França, que deu entrevista ao ge nesta segunda-feira, em Quito. Ele executou a estratégia juntamente com os integrantes do departamento de saúde

– Nós optamos por fazer toda essa logística para chegar um pouco antes, para os atletas se adaptarem à diferença que nós temos de pressão atmosférica. E para eles se ambientarem também ao treinamento, como eles vão reagir e assim temos o objetivo de minimizar todo e qualquer sintoma. A oferta de oxigênio diminui e com isso podem vir os sintomas: dor de cabeça, náusea, um pouco de cansaço, e às vezes, vai impactar. isso é muito individual. Cada um reage de uma forma. Não é obrigatório de sentir os efeitos da altitude.

– Faz parte do protocolo, um monitoramento. Metade dos atletas do Mirassol já tiveram contato com altitude. Alguns tiveram repercussão quando vieram, outros não. Alguns com 2,8 mil, outros com 3 mil e pouco, outros com 4 mil. Aqui em Quito, costuma ser muito tranquilo – emendou o médico que trabalha há quatro anos no Mirassol.

Uma das tradições para turistas em destinos com altitude é mascar bala de coca para minimizar os efeitos. Esta, porém, não é uma opção para jogadores, por conter substâncias que são proibidas no antidoping.

Francys França explicou como é o protocolo de monitoramento dos jogos.

– Nesta aula de performance, elaboramos um protocolo para a adaptação nesse jogo específico. Então, iniciamos esse protocolo já com a monitorização dos atletas, desde exames laboratoriais. Nós focamos na monitorização do sono, da frequência cardíaca, da oxigenação, da saturação. Também fizemos uma estratégia nutricional importantíssima, que visa bastante a hidratação, um cardápio elaborado com alta disponibilidade energética.

O médico reconheceu que existe um fator psicológico que acaba prejudicando mais os jogadores do que a própria realidade da altitude. Francys falou sobre a estrutura trazida de Mirassol para estar disponíveis aos atletas que necessitarem.

Em nossas viagens e especialmente aqui (na altitude), do nosso departamento de saúde e performance, nós trazemos tudo para a Quito, para proporcionar ao atleta uma excelente recuperação, os cuidados, a manutenção que ele tem que fazer, os monitoramentos que fazemos em Mirassol. Realizamos aqui também, justamente para pontuar e identificar aquele atleta que está apto. Isso é importante, porque ele nos dá a real situação do atleta e como ele está se comportando em um ambiente diferente do que estamos habituados – finalizou o médico Francys França.

O Mirassol treinou no CT do Independiente Del Valle nesta segunda-feira, na cidade de Sangolquí, nos arredores de Quito. O centro de treinamento fica 300 metros abaixo de Quito, em uma altitude minimamente mais baixa. Os jogadores trabalharam por cerca de duas horas na única atividade física que fizeram no Equador.

O Leão faz o duelo de líderes contra a LDU, que também tem três pontos conquistados após uma rodada da Conmebol Libertadores.



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