Brasil/Mundo
Peixe-demônio: cientista descobre nova espécie sem olhos
Batizado de Demogorgonichthys arcanus em referência à série Stranger Things, o animal translúcido pode estar entre os peixes mais raros do planeta
| ÚLTIMO SEGUNDO / CAIO RESENDECAIO RESENDEJORNALISTA EM FORMAçãO PELA UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA (UFJF), CAIO RESENDE é REDATOR DE REDES SOCIAIS DO PORTAL IG. POSSUI EXPERIêNCIA NA COMUNICAçãO SOCIAL LOCAL E TAMBéM ATUOU COMO ASSESSOR DE IMPRENSA
Um peixe-demônio raro sem olhos e sem pigmentação foi registrado na caverna Bobcat, no Alabama, nos Estados Unidos. A nova espécie ganhou o nome científico de Demogorgonichthys arcanus, em referência ao monstro Demogorgon, da série Stranger Things. As informações são da revista Scientific Reports.
Batizado de Demogorgonichthys arcanus em referência à série Stranger Things, o animal translúcido pode estar entre os peixes mais raros do planeta.
A caverna Bobcat fica sob o Arsenal Redstone, base do Exército americano que fabricou armas químicas na Segunda Guerra Mundial. O animal catalogado tem pele translúcida, deixando parte do cérebro à vista. Além disso, o peixe também tem uma corcunda, raios espinhosos e um focinho diferente de outros animais cavernosos.
A descoberta, por incrível que pareça, aconteceu por acidente. O professor Matthew Niemiller, da Universidade do Alabama, fazia uma vistoria de rotina quando escorregou na lama e caiu numa poça profunda. A queda assustou um peixe e um lagostim escondidos sob uma saliência de rocha.
Niemiller aproveitou a oportunidade e fotografou os espécimes com uma câmera subaquática antes que o barro deixasse a água turva. Só dias depois, revendo as imagens, o acadêmico desconfiou de que aquilo não era o esperado.
Tomografias, testes genéticos e outras análises mostraram um esqueleto diferente de tudo o que já havia sido catalogado até então. Dessa forma, nasceram um gênero e uma espécie novos, descritos no dia 6 de julho.
Ainda não se sabe quase nada sobre o Demogorgonichthys arcanus. Os cientistas não distinguem machos de fêmeas e não conseguiram entender como a reprodução acontece. Quanto à alimentação, os pesquisadores acreditam que o peixe engole qualquer coisa que caiba na boca.
Niemiller contou 27 exemplares na última visita à caverna, número que não corresponde à população total. A bacia que abastece o sistema é pequena, indicando risco alto de extinção.
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