Economia
Fechamento das Casas Bahia alerta comércio local sobre transformações do varejo, diz Aced
| DOURADOSNEWS / FABIANE DORTA
O fechamento das duas únicas lojas das Casas Bahia na sexta-feira, dia 14, impacta o comércio local e acende alerta aos empresários douradenses sobre a necessidade de se adaptar às transformações do varejo. A avaliação é da Aced (Associação Comercial e Empresarial de Dourados).
Segundo o presidente, Everaldo Leite Dias, o encerramento das atividades em 298 lojas do grupo no país, incluindo as localizadas na maior cidade do interior sul-mato-grossense, chama a atenção e certamente tem impacto na dinâmica do comércio local, especialmente por se tratar de uma marca tradicional e de grande presença no varejo brasileiro.
“Para nós, enquanto entidade que representa o setor empresarial, cada fechamento de uma loja significa uma redução na oferta de produtos e serviços, na circulação de consumidores e também na geração de empregos. Por isso, é um movimento que precisa ser acompanhado com atenção”, detalha o presidente.
Os aspectos destacados pelo dirigente são, em especial, a transformação ‘muito grande’ pela qual o varejo está passando, com mudanças no comportamento do consumidor, crescimento das vendas digitais e necessidade cada vez maior de adaptação dos modelos de negócio. “Dourados não está isolada desse cenário”, continua Dias.
Everaldo Leite Dias, presidente da Aced. Foto: Clara Medeiros / Dourados News.
“O nosso comércio continua forte, diversificado e com grande capacidade de atração regional, mas situações como essa reforçam a importância de mantermos um ambiente favorável para que as empresas possam investir, permanecer e continuar gerando emprego e renda no município”, acrescenta o presidente, dizendo que a Aced acompanha o movimento com preocupação, mas disposta a contribuir com o fortalecimento do comércio local e a construção de um ambiente competitivo e saudável para as empresas.
O Dourados News também entrou em contato com o Secod (Sindicato dos Empregados no Comércio de Dourados) para comentar sobre o fechamento das unidades que incluiu a demissão de funcionários, mas até o momento não obteve resposta.
Empregados do grupo ouvidos pela nossa equipe, relataram que foram informados sobre o encerramento das atividades ao chegarem pela manhã para trabalhar.
Já os clientes encontraram portas fechadas, sendo que em uma das unidades havia um papel colado informando sobre o encerramento das atividades.
Papel colado na porta informava os clientes sobre o encerramento das atividades. Foto: Clara Medeiros / Dourados News.
As duas lojas com fachadas imponentes estão localizadas na Avenida Marcelino Pires, a prinicpal via que corta a cidade. Uma dessas atravessa a quadra e possui uma segunda entrada pela Avenida Weimar Gonçalves Torres.
PORQUE FECHOU?
Até a publicação dessa reportagem, o Grupo Casas Bahia não havia se manifestado oficialmente sobre o fechamento de unidades que atingiu o país e nem o que motivou a demissão de centenas de funcionários de uma só vez.
Conforme uma apuração publicada pelo Jornal Valor Econômico, a quantidade de lojas com atividades encerradas corresponde a 28,7% do total de unidades que o grupo possui no país. Eram cerca de mil pontos.
A varejista teria planejado um corte de 30% na base de funcionários neste mês de agosto. Na quinta-feira, dia 13, 600 teriam sido demitidos e nesta sexta-feira, entre 1,3 e 1,4 mil. A soma já seria equivalente a 6,7% da folha.
Fontes ouvidas pelo jornal que é especializado em economia, finanças e negócios, indicaram ainda que o número de demissões pode chegar a 3 mil.
A investida seria parte de uma reestruturação financeira do Grupo Casas Bahia. A companhia teria fechado o primeiro trimestre com um prejuízo de R$ 1,1 bilhão, mais que o dobro do período anterior, mesmo acumulando o fechamento de 26 lojas físicas em 12 meses. Foram 12 que levam o nome da marca e 14 da Ponta Frio.
Paralelo a essas e outras movimentações administrativas e financeiras, a companhia também teria acelerado os esforços para alavancar a operação digital. Enquanto as vendas de produtos próprios pela internet teriam subido 26% em três meses, a comercialização em lojas físicas teria sofrido queda de 1,8%.
A divulgação do balanço do segundo trimestre da companhia era esperada para quarta-feira, dia 12, um antes das demissões começarem. O anúncio foi adiado para esta sexta-feira, dia 14, mas ainda não aconteceu.
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