Indústria em Dourados é um dos alvos de operação que apura desvio de metanol

| DOURADOSNEWS / DA REDAçãO


Operação Carbono Oculto foi desencadeada em agosto do ano passado - Crédito: Divulgação
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Uma indústria instalada no Distrito Industrial de Dourados, estaria entre os alvos de esquema de adulteração de combustíveis investigado pela Operação Carbono Oculto. César Cirne Leal, administrador do local, é um dos 16 denunciados pelo MPSP (Ministério Público de São Paulo), suspeitos de integrarem organização criminosa que atuou entre os anos de 2017 e 2025.

A empresa teria sido usada como destino fictício de mais de 10,8 milhões de litros de metanol desviados, segundo o Campo Grande News. 

Conforme o documento elaborado pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), César colocava a estrutura da Oreonn Indústria e Comércio de Óleos Vegetais e Químicas Ltda. à disposição do grupo para dar aparência regular às compras de metanol.

O empresário teria a função de “chancelar documentalmente” aquisições feitas por Everton Felipe de Barros, conhecido como Soró, e Admar de Carvalho Martins, o Dema.

Com isso, conforme a acusação, a Oreonn aparecia nas notas fiscais como compradora e destinatária regular do produto. Entretanto, a maior parte das cargas não chegava à fábrica de Dourados e seria descarregada em outros locais, principalmente em São Paulo.

O metanol era posteriormente usado na adulteração de gasolina vendida em postos de combustíveis.

Ainda conforme o portal, entre janeiro e agosto de 2025, a filial da Oreonn em Dourados teria comprado 10.827.108 litros de metanol da Quantiq Distribuidora.

O volume se refere exclusivamente às aquisições registradas em nome da unidade sul-mato-grossense e não inclui as compras atribuídas à matriz da empresa, localizada em Barueri, na região metropolitana de São Paulo.

A Sefaz-MS (Secretaria de Estado de Fazenda de Mato Grosso do Sul) analisou 153 DANFEs (Documentos Auxiliares da Nota Fiscal Eletrônica) emitidos para a indústria de Dourados naquele período.

Apenas duas cargas apresentavam registro automático de passagem vinculado ao MDF-e (Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais). As outras 151 não tinham o registro que permitiria confirmar o deslocamento dos caminhões até Mato Grosso do Sul.

Para os promotores, o resultado reforça a conclusão de que a “esmagadora maioria” das cargas documentadas como destinadas à Oreonn jamais chegou à fábrica.

A denúncia, porém, não apresenta as placas, datas ou destinos finais de cada um dos 151 carregamentos. Também não identifica uma rota física percorrida pelo metanol dentro de Mato Grosso do Sul.

Ao contrário, o MPSP afirma que, embora Dourados aparecesse nos documentos como destino, as entregas investigadas estavam relacionadas ao esquema criminoso que operava no Estado de São Paulo.

De acordo com o Gaeco, César não aparece como motorista ou responsável por despejar metanol nos postos. A função atribuída a ele era empresarial e financeira.

O empresário teria permitido que a Oreonn fosse usada para justificar as aquisições, movimentar recursos e ocultar o destino verdadeiro das cargas negociadas por Soró e Dema.

César Cirne Leal atua de forma recorrente a chancelar documentalmente as aquisições de metanol de Everton e Admar”, afirma a denúncia.

MPSP sustenta que a Oreonn possuía atividade industrial verdadeira, mas parte substancial dessa estrutura teria sido desviada para atender à organização criminosa. O modelo permitia misturar operações lícitas e ilícitas dentro da mesma empresa.

Notas fiscais e tickets de pesagem encontrados no celular de outro investigado mostrariam vendas formalmente feitas à Oreonn, mas com cargas efetivamente desviadas para postos de combustíveis. (com informações do Campo Grande News)



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