Esportes
Adriano chora após vaga do Brasil e lamenta preconceito: "Alvos de ódio que não deveria existir"
Com título do Pré-Olímpico e classificação garantida a Los Angeles-28, ponteiro desabafa contra ataques homofóbicos sofridos pelos jogadores assumidamente gays da seleção masculina de vôlei
| GLOBOESPORTE.COM / REDAçãO DO GE
Autor do ponto decisivo com um ace, Adriano se emocionou depois da vitória do Brasil sobre a Argentina na final do Pré-Olimpico neste domingo (20), no Maracanãzinho. Com o título conquistado e a vaga em Los Angeles-28 garantida, o ponteiro destacou a resiliência do grupo diante dos resultados negativos em sequência e desabafou sobre os ataque homofóbicos recebidos pelos jogadores assumidamente homossexuais.
— A equipe está de parabéns, a gente trabalhou muito por isso. NA VNL não deu, foi um momento muito difícil para mim, pro Maique, pro Pureza, pro Douglas Souza... Para todos os atletas, mas nós fomos alvos de comentários, de um ódio que não deveria existir para ninguém. A gente sofreu naquele momento — disse Adriano, entre lágrimas, à ge tv.
— A gente chora hoje, mas chora de alegria porque a gente passou por um momento muito difícil, a gente batalhou, não desistiu. Hoje fomos campeões, garantimos a vaga e vamos continuar lutando, dentro de quadra como fora de quadra — acrescentou o ponteiro.
O triunfo em casa e diante da Argentina encerrou uma série de resultados desfavoráveis do elenco comandado por Bernardinho. Em Paris 2024, foi a própria seleção alviceleste que eliminou o Brasil na disputa do bronze. No ano seguinte, o time verde-amarelo fez sua pior campanha em Mundiais, com um 17º lugar, enquanto na Liga das Nações (VNL) deste ano, em julho, foi eliminado na fase classificatória pela primeira vez.
A pior campanha da história da seleção masculina de volei na VNL rendeu críticas à equipe pelo rendimento em quadra, mas também resultou em discursos de ódio que extrapolam o esporte. Nas redes sociais, viralizaram ataques homofóbicos associando o resultado negativo à presença de jogadores assumidamente gays no elenco brasileiro.
Um dos alvos do preconceito, Adriano foi eleito o melhor ponteiro deste Pré-Olímpico. O título no torneio sul-americano veio quase exatos três meses após a eliminação na VNL e tira um peso da equipe masculina. Além de trazer maior tranquilidade para a sequência do ciclo, a equipe venceu com autoridade: o Brasil se sagrou campeão invicto, sem perder nenhum set disputado, e atropelou a Argentina na final por 3 a 0 -parciais de 25/20, 25/23 e 25/20.
Como foi o jogo
Darlan, maior pontuador do Brasil na competição, foi o destaque do primeiro set, ao auxiliar o elenco a abrir vantagem logo no início. Com o coletivo funcionando, o time de Bernardinho conseguiu impor uma diferença confortável, que chegou a seis pontos. Com um 17 x 12 desfavorável, Horacio Dileo precisou gastar a segunda pausa técnica. Depois do tempo, a seleção alviceleste melhorou no ataque, mas a artilharia brasileira seguiu mais eficiente e determinante para fechar a primeira parcial novamente com ele: Darlan.
Embalado pelo primeiro set, o Brasil rapidamente aplicou 4 x 1, com um ace de Judson. O saque, aliás, foi um dos trunfos do elenco verde-amarelo, ao dificultar a recepção alviceleste e o trabalho do levantador De Cecco, que diversificava a distribuição de bolas para tentar melhorar o aproveitamento do ataque. Os adversários até melhoraram, ficando a um ponto do Brasil, mas Bernardinho pediu tempo para arrumar e conseguir garantir mais um set.
Na busca pela reação, os argentinos voltaram mais ligados e conseguiram um 4 x 3 e depois, um 8 x 6, com o saque finalmente incomodando. Com o apoio da torcida, que revezava gritos e vaias, a depender de qual seleção ia para o saque, o Brasil manteve o ataque consistente para ficar no ponto a ponto. Um aliado que fez a diferença depois de passar zerado na parcial anterior foi o bloqueio –3 x 0 neste fundamento– e a equipe verde-amarela abriu 2 sets a zero.
A tentativa de reação da Argentina esquentou a atmosfera da partida, e a terceira parcial foi marcada por bastante provocação dos visitantes. Porém, o Brasil conseguiu manter sua imposição, abriu vantagem e confirmou o título e a vaga olímpica com um ace de Adriano.
Assim que o resultado foi decretado, Darlan enfim respondeu às provocações e deu "tchau" aos argentinos, que foram tirar satisfação. Uma breve confusão se formou em quadra, mas foi contida sem maiores intercorrências, e os brasileiros puderam voltar à celebração.
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