Política
Simone Tebet perde eleições para o Senado em São Paulo
A candidatura por São Paulo foi anunciada em março, quando Simone ainda era ministra do Planejamento
| JHEFFERSON GAMARRA / CAMPO GRANDE NEWS
A sul-mato-grossense Simone Tebet (PSB) ficou em terceiro lugar na disputa pelo Senado por São Paulo com 19,11% dos votos. O Estado mais populoso do Brasil elegeu dois senadores: Guilherme Derrite (PP), com 30,72% e André do Prado (PL), 29,38% dos votos.
Nascida em Três Lagoas, filha do ex-governador e senador Ramez Tebet, ela disputou o Senado por São Paulo depois de ter sido prefeita, deputada estadual, vice-governadora e senadora em Mato Grosso do Sul. Ela ainda disputou a Presidência da República e comandou o Ministério do Planejamento e Orçamento no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A candidatura por São Paulo foi anunciada em março, quando Simone ainda era ministra do Planejamento. Em 12 de março, durante evento em Campo Grande, ela confirmou que havia aceitado o convite de Lula para disputar uma das duas vagas ao Senado pelo Estado. A decisão, segundo relatou na ocasião, foi tomada depois de conversas com o presidente e também com a família.
A mudança significou também o fim de uma longa relação eleitoral com Mato Grosso do Sul. Simone deixou o MDB, partido ao qual era filiada desde 1997, ingressou no PSB e passou a ter domicílio eleitoral em São Paulo. Em março, o Campo Grande News registrou a transferência do local de votação de Campo Grande para Higienópolis, na capital paulista.
Uma carreira construída em Mato Grosso do Sul - Simone Nassar Tebet nasceu em Três Lagoas, em 22 de fevereiro de 1970. Formada em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com mestrado em Direito do Estado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, ela também atuou como professora universitária antes de ingressar definitivamente na política.
A trajetória eleitoral começou em Mato Grosso do Sul. Simone foi eleita deputada estadual em 2002 e exerceu o mandato entre 2003 e 2004. Na sequência, disputou a Prefeitura de Três Lagoas e foi eleita em 2004, tornando-se a primeira mulher a comandar o município.
Na prefeitura, foi reeleita em 2008. Dois anos depois, deixou o cargo para disputar o posto de vice-governadora na chapa de André Puccinelli. Eleita, permaneceu no cargo entre 2011 e 2015 e também ocupou a Secretaria de Governo de Mato Grosso do Sul.
O próximo passo foi o Senado. Em 2014, Simone foi eleita senadora por Mato Grosso do Sul e assumiu o mandato em fevereiro de 2015. No Senado, Simone ocupou diferentes posições e ganhou destaque especialmente em 2019, quando se tornou a primeira mulher a presidir a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), uma das principais comissões permanentes da Casa.
Da disputa presidencial ao governo Lula - A projeção nacional alcançada no Senado levou Simone a disputar a Presidência da República em 2022. Pelo MDB, ela foi candidata em uma eleição marcada pela polarização entre Lula e Jair Bolsonaro.
Simone terminou o primeiro turno na terceira colocação, com cerca de 4,9 milhões de votos. Depois da primeira votação, declarou apoio a Lula no segundo turno.
A aproximação com o petista abriu uma nova etapa da carreira. Depois da vitória de Lula, Simone foi convidada para integrar o governo e assumiu o Ministério do Planejamento e Orçamento em janeiro de 2023.
Durante mais de três anos, permaneceu à frente da pasta responsável por temas ligados ao planejamento e ao orçamento federal. A experiência fez com que Simone passasse a ocupar uma posição diferente daquela construída no Congresso: deixou de ser apenas uma parlamentar de oposição ou de centro e passou a integrar diretamente o governo federal.
O vínculo com Lula acabaria sendo decisivo para a próxima mudança de sua carreira.
Lula chamou Simone para São Paulo - Em 2026, enquanto ainda estava no Ministério do Planejamento, Simone recebeu o convite para disputar o Senado por São Paulo. A decisão foi anunciada por ela em Campo Grande, em março.
A escolha chamou atenção justamente porque Simone tinha uma carreira eleitoral inteiramente ligada a Mato Grosso do Sul. Ela havia sido eleita deputada estadual, prefeita, vice-governadora e senadora pelo Estado. Ao aceitar a candidatura paulista, abriu mão de uma eventual disputa pelo Senado em Mato Grosso do Sul.
Naquele momento, Simone afirmou que havia aceitado o convite feito por Lula. O movimento também foi acompanhado pela saída do MDB e pela filiação ao PSB.
A exoneração do Ministério do Planejamento ocorreu em 31 de março de 2026, conforme decreto presidencial publicado no Diário Oficial da União.
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