Bia Haddad anuncia fim da parceria com o técnico Rafael Paciaroni

Juntos desde 2020, Bia e Paciaroni deixaram o ranking acima das 400 do mundo para chegar ao top-10 da WTA em 2023; neste ano, porém, a tenista acumula cinco derrotas em seis partidas

| GLOBOESPORTE.COM / FáBIO GRIJó E MARCEL MERGUIZO


Beatriz Haddad Maia, do Brasil, com o técnico Rafael Paciaroni na quadra Philippe Chatrier, em Roland Garros, em 22 de maio de 2023, em Paris — Foto: Tim Clayton/Corbis via Getty Images
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Sob a tutela de Rafael Paciaroni, Bia Haddad alcançou o inédito top-10 mundial e a semifinal de Roland Garros, consolidando sua carreira no tênis.

A decisão ocorre após a tenista enfrentar desafios de saúde mental e uma sequência de apenas uma vitória em seis jogos neste início de temporada.

A tenista Beatriz Haddad Maia anunciou o fim da parceria com o técnico Rafael Paciaroni. O trabalho dois dois paulistas começou em 2020 e se encerrou nesta semana, após a quinta derrota de Bia Haddad em seis jogos nesta temporada. Bia Haddad ainda não anunciou quem será seu próximo treinador ou treinadora. Os próximos torneios serão Merida, Indian Wells e Miami,

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Bia Haddad, aos 29 anos, é atualmente a 67ª colocada do ranking mundial. Sob o comando técnico de Paciaroni, hoje com 38 anos, ela saiu de 439ª do ranking da WTA para o 10º lugar do mundo (em 12 de junho de 2023), tornando-se a primeira brasileira a figurar no top-10 de simples na Era Aberta do tênis.

Juntos, alcançaram a inédita semifinal de Roland Garros, em 2023, as conquistas dos WTAs de Nottingham e Birmingham, em 2022, do WTA Elite Trophy, em 2023, do WTA de Seul, em 2024, e a manutenção no top-20 mundial por mais de dois anos consecutivos.

Bia anunciou a mudança em suas redes sociais.

- Depois de 6 anos eu só poderia te agradecer por todos os momentos e grandes feitos que alcançamos dentro e fora de quadra. Passamos pelos momentos mais intensos, felizes e duros da minha carreira e eu serei eternamente grata por isso. Não é sobre resultados e o top 10 que alcançamos em simples e duplas, mas sobre tudo que me ensinou, principalmente sobre quanto o trabalho duro e acreditar no processo são as coisas mais importantes na nossa profissão. E que sim, “é possível quando fazemos algo com o coração'. Nosso legado e marca no tenis brasileiro são eternos. Tenho muito orgulho, e sou grata por ter vivido essa etapa ao seu lado. Obrigada pelos ensinamentos, pela confiança e sua entrega diária. brigada por acreditar e ter me tirado da minha zona de conforto. Obrigada por estar do meu lado nos momentos mais duros, onde a maioria se afastou e desacreditou. Irei torcer e vibrar com cada passo seu nesse novo capítulo. Tenho certeza de que muita coisa boa está por vir. Nossa amizade e confiança seguirão assim como o respeito e carinho que sempre tivemos. E assim é o tênis, assim é a vida… “Muitas coisas não são tentadas por parecerem difíceis; muitas coisas só parecem difíceis por não serem tentadas'. Com carinho, Bia

Graças ao trabalho e aos resultados de Bia Haddad, Paciaroni consolidou-se como um técnico reconhecido no circuito, chegando a ser finalista do prêmio de "Treinador do Ano da WTA", em 2022. Ele ainda foi assistente da seleção brasileira na Billie Jean King Cup e treinador do Brasil nos Jogos Olímpicos de Paris 2024. Antes de treinar Bia Haddad, Paciaroni acumulou passagens por equipes de jogadores como Thomaz Bellucci e o então juvenil Matheus Pucinelli.

Antes de Paciaroni, Bia treinou com nomes como Marcus Vinícius Barbosa, o Bocão, e o argentino German Gaich, além de ser treinada por Larri Passos, quando tinha apenas 15 anos e era uma das maiores promessas do tênis mundial. Sob a tutela do ex-técnico de Guga Kuerten, entre 2011 e 2015, Bia alcançou o 2º lugar no ranking mundial juvenil e chegou duas vezes a finais de duplas em Roland Garros.

Saúde mental e pausa estratégica

A decisão de trocar o comando técnico ocorre após um período de grandes desafios extraquadra. Em setembro de 2025, Bia Haddad anunciou o encerramento antecipado de sua temporada para priorizar a saúde mental e o descanso físico.

Na ocasião, a tenista admitiu enfrentar "fantasmas" e crises de ansiedade, sintomas que ficaram evidentes em episódios de choro e mal-estar súbito durante partidas em Seul e no US Open. Durante o hiato de quatro meses, a atleta também aproveitou para realizar o congelamento de óvulos, amparada por novas diretrizes da WTA que visam dar suporte ao planejamento familiar e à longevidade da carreira das jogadoras.

Impacto no ranking e retorno

A ausência prolongada das competições em 2025 resultou em uma queda acentuada na classificação mundial. Bia Haddad, que iniciou a temporada passada entre as melhores do mundo, viu seu ranking recuar até a 58ª posição no fechamento do ano. Ao retornar ao circuito em janeiro de 2026, a brasileira utilizou o recurso do ranking protegido para garantir entrada em grandes torneios, mas ainda busca reencontrar sua melhor forma técnica e emocional.

Com apenas uma vitória em seis jogos neste início de ano --incluindo quedas nas estreias de Adelaide, Australian Open e Abu Dhabi, além de uma derrota por 6/0 e 6/1 em Doha, nesta semana--, a mudança na equipe surge como uma tentativa de estancar a sequência negativa e reconstruir a confiança para o ano de 2026.



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