Esportes
Rayssa Leal diz que lesão no Mundial a fez entender limites do corpo e mudar relação com o skate
Aos 18 anos e recuperada de contusão sofrida em março, em São Paulo, atleta se vê mais feliz nas pistas e encara desafios de ser uma "jovem adulta"
| GLOBOESPORTE.COM / JULIANA GUAHYBA, LUCAS ESPOGEIRO E RAPHAEL DE ANGELI
Em março de 2026, Rayssa Leal sofreu uma contusão óssea durante o Mundial de Skate Street, em São Paulo.
Por causa da lesão, ficou afastada das pistas por três meses e precisou refletir sobre a saúde do corpo e a relação com o esporte.
Agora, voltará a competir no Brasil, no SLS Rio Takeover, e se mostra animada com a possibilidade de sentir a energia da torcida carioca.
Aos 18 anos, Rayssa Leal vive uma fase de mudanças dentro e fora das pistas. Entre tirar a carteira de motorista, se formar na escola e viajar sozinha para competições, a skatista, duas vezes medalhista olímpica, começa a se entender como uma "jovem adulta". Em 2026, ainda viveu uma experiência que transformou a relação com o esporte e o próprio corpo. Durante as finais do Mundial de Street de São Paulo, em março, Rayssa caiu e sofreu uma contusão óssea no joelho. Por causa da lesão, ficou afastada do esporte por três meses, algo até então inédito na carreira.
Em entrevista exclusiva ao ge, Rayssa, uma das atrações do SLS Rio Takeover, neste domingo (9), conta que o período da recuperação foi difícil, mas também serviu como aprendizado.
– Nunca fiquei tanto tempo parada. Tive que me concentrar e entender o que meu corpo realmente quer, o que devo comer, quanto tempo dormir. Foi uma experiência muito diferente para eu entender do que preciso. Minha mente ficou um turbilhão, porque eu só queria competir logo, mas isso me fez voltar gostando muito mais do meu skate. Passar por dificuldades ajuda qualquer atleta a amadurecer – compartilhou a skatista.
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Depois da lesão no joelho, Rayssa voltou às pistas em junho, na Copa do Mundo de Roma. Neste domingo, reencontrará as pistas brasileiras no SLS Takeover Rio, terceira etapa da temporada da Liga Internacional de Skate Street. O evento, focado em manobras, ocorrerá no Maracanãzinho, um dos espaços mais tradicionais do esporte brasileiro. O Esporte Espetacular, na TV Globo, transmitirá a final feminina, a partir de 11h. O sportv3, a ge tv e o ge.globo mostrarão também a decisão masculina, às 13h15 (horários de Brasília).
A relação de Rayssa com o Rio de Janeiro é antiga. Aos 11 anos, ela disputou pela primeira vez uma etapa da Street League na cidade, e desde então, construiu uma conexão especial com o público. Por isso, a atleta tem grandes expectativas para voltar à ação em terras cariocas.
– Será um retorno muito especial, uma competição para eu me divertir, sentir a energia, ser abraçada pela torcida. Quando competimos no Brasil, tem essa diferença, sentimos o calor das pessoas. É sempre muito especial estar aqui, e vai ser gostoso dividir isso com o público – afirmou Rayssa.
Fora das pistas, a vida da skatista também passa por mudanças. Com 18 anos completados em janeiro, a maranhense de Imperatriz experimenta responsabilidades que antes não faziam parte da rotina. Ao se tornar maior de idade, Rayssa tirou carteira de motorista, começou a viajar sozinha e tomar decisões por conta própria. Diz que não é mais criança e se considera uma "jovem adulta".
A nova rotina ainda veio acompanhada do fim do período escolar. Rayssa se formou no Ensino Médio e não tem mais a obrigação de voltar a Imperatriz para assistir às aulas. Antes de deixar a escola, porém, a jovem fez questão de aproveitar os últimos momentos com sua turma.
– No ano passado, quis aproveitar tudo o que a escola podia me proporcionar. Estar em gincanas, jogos. Fazia muito tempo que eu não me sentia conectada com todo mundo, porque às vezes eu não tinha tempo de ficar com meus amigos em Imperatriz. Eu sinto muita falta de ir para a escola, de estudar, de estar ali com os meus professores, trocar ideia com os alunos também – revelou Rayssa.
Do outro lado da moeda, está a liberdade que Rayssa tem para investir integralmente na carreira e em compromissos comerciais. Entre aeroportos, aviões, campeonatos e sessões de filmagem, a skatista encara alguns perrengues, mas descobre uma realidade diferente. A menina que ficou conhecida mundialmente aos sete anos, ao fazer manobras vestida de fada, enfrenta uma nova etapa: a de amadurecer enquanto segue construindo uma das carreiras mais vitoriosas do skate.
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No Maracanãzinho, no SLS Rio Takeover, Rayssa terá pela frente um torneio diferente do formato tradicional de linhas. Cada atleta terá direito a sete tentativas de manobras isoladas, e o somatório levará em conta as três melhores notas do competidor. O formato agrada à skatista, que prefere executar acrobacias individuais a disputar linhas longas de 45 segundos.
A competição terá seis atletas no naipe feminino: a também brasileira Gabi Mazetto, três japonesas e uma espanhola completam o grupo. Para Rayssa, o nível promete ser alto. A disputa ainda ocorrerá no Dia dos Pais, ganhando contornos mais especiais. Caso conquiste o título, a maranhense já sabe para quem vai dedicar.
– Se a gente conseguir alcançar o lugar mais alto do pódio, essa competição vai ser dedicada ao meu pai (Haroldo), com certeza – disse.
Skatista sofre queda no Maracanãzinho
Neste sábado, no Maracanãzinho, durante o treinamento para o SLS Rio Takeover, Rayssa Leal torceu o pé direito ao sofrer uma queda. Ela foi para os vestiários mancando logo após o incidente e, apesar do susto, passa bem e está confirmada na competição deste domingo.
A maranhense ainda reapareceu na área de competição e até arriscou alguns passos de dança, mesmo demonstrando um certo incômodo na região machuada. Mais tarde, ela apareceu jogando altinha com o técnico, Felipe Gustavo, e Giovanni Vianna.
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