Esportes
Tifanny está liberada para jogar o Campeonato Paulista, diz federação
Federação de vôlei de SP solta nota informando que o torneio, que começou na sexta, foi definido com a regras até então, antes da diretriz da CBV que bane mulheres trans
| GLOBOESPORTE.COM / REDAçãO DO GE
A Federação Paulista de Voleibol liberou a atleta Tifanny para disputar o atual torneio estadual, pois a competição começou antes das novas diretrizes da CBV.
A nova regra nacional exige teste genético negativo para o gene SRY a partir da temporada 26/27. O Osasco, clube de Tifanny, declarou surpresa com a decisão.
Um dia depois de a Confederação Brasileira de Vôlei aderir à política do Comitê Olímpico Internacional e banir mulheres trans, a Federação Paulista da modalidade soltou nota, neste sábado. No comunicado, afirma que o Campeonato Paulista, iniciado nesta sexta-feira, foi realizado de acordo com as normas vigentes até então - antes da decisão da CBV - e que, diante do novo cenário, "eventuais medidas para as próximas competições serão definidas após análise e manifestação das áreas jurídica e de saúde, considerando a legislação aplicável, as normas da modalidade e os aspectos técnicos pertinentes". Na prática, libera Tifanny para esta edição do Paulista, deixando o futuro a ser analisado. O Osasco, de Tifanny, estreia, neste sábado, às 21h30, contra o Pinheiros, com transmissão do sportv2.
+ CBV adere à política do COI que bane mulheres trans + COI bane mulheres trans ao criar teste para determinar gênero biológico
Nesta sexta, a CBV anunciou que vai aderir à política do Comitê Olímpico Internacional (COI) sobre a elegibilidade de atletas da categoria feminina em suas competições nacionais de quadra e praia. Desta forma, as competidoras devem apresentar teste genético negativo para o gene SRY (em inglês, Sex-determining Region Y), que atua como desencadeador do desenvolvimento masculino. "A CBV passa a seguir - a partir de hoje - os critérios e fundamentos da Política de Proteção da Categoria Feminina do COI - publicada em março deste ano - que limita a elegibilidade nessa categoria exclusivamente às atletas do sexo biológico feminino. Essa verificação é feita por testagem e triagem do gene SRY - tendo como ressalvas apenas condições excepcionais previstas na política da entidade", diz trecho da nota.
Segundo a instituição, os critérios passam a valer para todas as jogadoras a partir da Superliga A e B (temporada 26/27), Supercopa 2026, Copa Brasil 2027, Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia 2027 (adulto) e CBVP Challenger 2027. A recusa da triagem não é considerada infração indisciplinar, mas, sem comprovar elegibilidade, a presença da atleta nas competições não será permitida.
Procurado pelo ge na sexta-feira o Osasco demostrou surpresa com a decisão da entidade máxima do vôlei nacional. Segundo o Osasco, o departamento jurídico avalia a normativa para definir o que chamou de "os próximos passos". O time ressaltou que não participou ou foi consultado sobre a nova política.
Na diretriz da CBV, há um artigo que deixa em aberto, por enquanto, a decisão para as federações: "Nas competições promovidas por Federações Estaduais, esta Política somente incidirá quando houver adoção expressa no regulamento da competição ou quando constituir norma vinculante de filiação regularmente aprovada, sem prejuízo de requisitos complementares compatíveis."
A nota da Federação Paulista de Vôlei
A Federação Paulista de Voleibol (FPV) esclarece, diante da publicação, nesta sexta-feira (14), pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), da nova Política de Elegibilidade para a Categoria Feminina. O Campeonato Paulista Feminino da Divisão Especial já havia sido iniciado e estava sendo realizado de acordo com a legislação e as normas vigentes até aquele momento. A nova política foi publicada quando a competição já estava em andamento e, portanto, não estava em vigor no momento de seu início. Dessa forma, a FPV vinha conduzindo a competição em conformidade com as regras então vigentes. A entidade também tomou conhecimento do posicionamento do Osasco São Cristóvão Saúde, que informou ter sido surpreendido pela publicação da nova política e destacou que a normativa impacta diretamente a atleta Tifanny Abreu, que defende o clube desde 2021 e possui uma trajetória reconhecida dentro e fora das quadras. Diante do novo cenário regulatório, a FPV informa que eventuais medidas para as próximas competições serão definidas após análise e manifestação das áreas jurídica e de saúde, considerando a legislação aplicável, as normas da modalidade e os aspectos técnicos pertinentes. A Federação Paulista de Voleibol reafirma seu compromisso com o cumprimento das normas, com a segurança e o respeito aos atletas e com a condução responsável e transparente das competições sob sua responsabilidade.
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