Esportes
66 anos de Morumbis: relembre os grandes títulos e momentos históricos do estádio
Estádio do São Paulo atravessou gerações, recebeu títulos e ídolos e, nos últimos anos, ganhou nova identidade e importância comercial
| GLOBOESPORTE.COM / LIVIA BRONZATO*
O estádio do São Paulo Futebol Clube completa 66 anos nesta sexta-feira, 2 de outubro de 2026. Ao longo das seis décadas de história, o sessentão mudou de tamanho, de nome e de função. Foi palco de títulos, recordes, despedidas e grandes shows. Atualmente chamado de MorumBIS, o estádio também se tornou uma importante unidade de negócios do clube.
A história começou em 2 de outubro de 1960. Ainda inacabado, o estádio recebeu o primeiro jogo: São Paulo 1 x 0 Sporting, de Portugal. Peixinho marcou aos 12 minutos o primeiro gol do local. A partida teve 56.448 pagantes e 64.748 pessoas presentes.
A construção começou em 1952 e levou quase 18 anos. O estádio foi inaugurado antes de ficar pronto porque o clube precisava das receitas de bilheteria e de ações comerciais para continuar as obras. A conclusão aconteceu apenas em 25 de janeiro de 1970, com um empate em 1 a 1 contra o Porto.
Quando foi finalizado, o estádio tinha capacidade para 149.408 pessoas. Hoje, comporta até 66.795 espectadores, sendo 66.435 lugares comercializáveis.
Mesmo com a redução da capacidade, os grandes públicos fazem parte da história do estádio. O recorde de público pagante do São Paulo no local é de 122.209 pessoas, na vitória por 1 a 0 sobre o Santos, pelo Campeonato Paulista de 1980.
Noites inesquecíveis
A história do estádio também se mistura com a dos principais títulos do São Paulo. Em 1992, o clube conquistou sua primeira Libertadores diante do Newell's Old Boys. Após a vitória por 1 a 0 no Morumbi e a derrota pelo mesmo placar na Argentina, a decisão foi para os pênaltis. Zetti defendeu a cobrança de Gamboa e garantiu o título.
No ano seguinte, o São Paulo voltou a conquistar a América. A vitória por 2 a 0 sobre a Universidad Católica, no Morumbi, confirmou o bicampeonato.
Em 2005, outra final histórica. O Tricolor venceu o Athletico-PR por 4 a 0 no estádio e conquistou sua terceira Libertadores.
As decisões ajudaram a transformar o Morumbi em um dos principais símbolos da história do clube.
A história dos maiores ídolos no estádio
Rogério Ceni é o jogador que mais atuou no estádio pelo clube. São 594 partidas, 375 vitórias e 73 gols, grande maioria como cobranças de falta e pênaltis. O goleiro também é o maior vencedor em número de jogos no local. Os dados fazem parte da Enciclopédia do São Paulo, atualizada até 31 de dezembro de 2025.
A relação de Ceni com o estádio começou antes de ele se tornar ídolo. Entre os 17 e os 21 anos, o goleiro chegou a morar no Morumbi durante o início da carreira.
Entre os artilheiros, Serginho Chulapa lidera com 135 gols. Luis Fabiano aparece em segundo, com 125. França e Müller vêm na sequência, ambos com 91 gols.
Muricy Ramalho também tem uma relação antiga com o estádio. O treinador é o recordista de jogos no comando do São Paulo no Morumbi, com 209 partidas, segundo os dados atualizados pelo clube.
Palco de estrelas da música
O gramado do Morumbi também recebeu alguns dos maiores nomes da música mundial. Queen, Michael Jackson, Madonna, U2, Paul McCartney, Metallica, Beyoncé e Coldplay estão entre os artistas que já se apresentaram no estádio.
O primeiro grande show foi do Queen, em março de 1981. A banda realizou duas apresentações e levou quase 200 mil pessoas ao estádio. Décadas depois, o local continuou recebendo grandes turnês internacionais. Em 2025, por exemplo, passaram pelo MorumBIS artistas como Imagine Dragons, Linkin Park, Stray Kids, Shakira e Dua Lipa.
Os eventos musicais ganharam ainda mais espaço na operação do estádio a partir de 2023. Desde dezembro daquele ano, o São Paulo mantém uma parceria com a Live Nation para a realização de shows.
Segundo levantamento publicado pelo ge em agosto de 2026, o clube havia arrecadado cerca de R$ 100 milhões com apresentações desde o início do primeiro contrato. No mesmo período, 12 partidas precisaram ser disputadas fora do MorumBIS. O levantamento estimou em R$ 11,4 milhões a receita que esses jogos poderiam ter gerado caso fossem realizados no estádio.
A parceria também alterou a rotina do estádio. Desde o primeiro acordo, o São Paulo precisou trocar completamente o gramado cinco vezes. O custo de cerca de R$ 4 milhões, segundo o ge, foi bancado pela Live Nation.
De Morumbi a MorumBIS
Em 2024, São Paulo e Mondelez oficializaram o acordo de naming rights que transformou o Morumbi em MorumBIS. O nome anterior, Estádio Cícero Pompeu de Toledo, havia sido utilizado oficialmente desde 1956, em homenagem ao presidente são-paulino responsável pelo projeto do estádio.
Como parte do acordo, o São Paulo anunciou a construção de uma estátua em homenagem a Cícero Pompeu de Toledo e um leilão das letras que faziam parte da antiga fachada.
A mudança marcou uma nova etapa comercial do estádio. O futebol continuou sendo sua principal identidade, mas o espaço passou a ser explorado de forma mais intensa como palco de entretenimento.
*Sob supervisão de Thatiana Diniz
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