Brasil/Mundo
Se fisgar, não devolva à água: peixe-jaguar ameaça Rio Jacaraípe
Espécie exótica invasora nativa da América Central foi encontrada em Área de Proteção Ambiental (APA) na cidade de Serra (ES)
| ÚLTIMO SEGUNDO / THIAGO SóRIATHIAGO SóRIARECéM-FORMADO EM JORNALISMO PELA UFRGS. 3º LUGAR NO PRêMIO SEMA-FEPAM 2025. ENTUSIASTA DE CIêNCIA, PREOCUPADO COM O MEIO-AMBIENTE E Fã DE ESPORTES, SEJAM ELES ELETRôNICOS OU NãO. GAúCHO E ASSíDUO NO CHIMARRãO.
O peixe-jaguar, predador topo de cadeia nativo da América Central, foi capturado em Área de Proteção Ambiental (APA) no Rio Jacaraípe, na cidade da Serra, região metropolitana de Vitória. A espécie é invasora no Brasil e ameaça o ecossistema do corpo d'água brasileiro, com possibilidade de se espalhar.
Segundo alerta do Instituto Brasileiro Fauna e Flora (Braff), o Parachromis managuensis, popularmente conhecido como “tucunaré tigre', representa uma grave ameaça ecológica para os rios locais.
A entidade afirma a presença do ciclídeo jaguar ameaça a bacia hidrográfica, que possui áreas protegidas, como a Lagoa de Jacuném.
Um dos fatores de risco é o comportamento predatório e territorial da espécie. Segundo o instituto, a espécie se alimenta de peixes menores, como o lambari, o que pode afetar toda cadeia alimentar, incluindo aves locais.
Outro ponto é a capacidade de adaptação. Conforme o Ibraff, o peixe-jaguar é resistente a diferentes temperaturas da água, além de oxigenação e turvação, fatores que podem favorecer a migração do peixe a outros pontos da bacia, até mesmo transição entre água doce e salgada.
A reprodução da espécie também favorece sua dispersão. O peixe-jaguar dificulta a predação dos próprios filhotes, com um comportamento de cuidado parental. A somatória desses fatores pode agilizar o crescimento da população invasora, pressionando os animais nativos da bacia.
Para além da competição por sobrevivência, o instituto aponta que a disputa também pode ser por espaço. O peixe-jaguar pode lutar por pontos de abrigo e de desova com outros animais, agravando ainda mais a situação.
A velocidade da expansão do invasor ainda precisa ser avaliada conforme as condições ambientais oferecidas pelo Jacaraípe, contudo.
O instituto alerta aos pescadores da Serra (ES) sobre as formas adequadas de manejo da espécie. Por ser um invasor, não se deve devolver os exemplares à água, seja após pesca esportiva ou por aquarismo
A soltura pode ser caracterizada como crime ambiental e é uma das principais causas da dispersão da espécie em bacias brasileiras. Os animais podem ser consumidos. A carne se assemelha ao conhecido tucunaré.
A espécie não é novidade em ambientes naturais do Brasil. Dados do Ministério do Meio Ambiente registram a espécie exótica já em 2003, na bacia do Rio São Francisco.
O animal se alimenta de outros peixes e invertebrados de maior porte. Ele costuma preferir por águas mais turvas e lagos, mas é altamente adaptável.
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