Chefe da Audi guarda relíquia de Ayrton Senna e elogia maturidade de Bortoleto na F1

Em entrevista ao ge, Allan McNish diz que escuderia tem planos em longo prazo para Gabriel e conta histórias de quando foi companheiro temporário de Senna na McLaren

| GLOBOESPORTE.COM / RODRIGO FRANçA, ESPECIAL PARA O GE


Gabriel Bortoleto é piloto titular da Audi e tem o apoio da equipe — Foto: Michael Potts/LAT Images
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A Audi fará sua estreia em Interlagos, correndo como equipe oficial de fábrica pela primeira vez no GP Brasil de Fórmula 1, e a prova paulistana já é considerada uma das mais importantes do ano, justamente por ser a corrida em casa de Gabriel Bortoleto, um dos pilotos titulares da escuderia.

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O time vem em alta depois de marcar bons pontos com Nico Hulkenberg em Singapura e Bortoleto no México – o brasileiro foi oitavo colocado. Em entrevista exclusiva ao ge.globo antes do GP São Paulo de F1, Allan McNish, chefe da Audi, destacou a boa temporada de estreia da equipe:

– Considerando que é o primeiro ano com uma nova unidade de potência, nossa temporada é muito boa. Mas nós nunca estamos satisfeitos, queremos ser bem melhores. Ficamos felizes com os resultados recentes, mas precisamos sempre trabalhar para melhorar a performance e a confiabilidade – McNish.

Na sexta-feira (6), a partir de 12h30 (horário de Brasília), o sportv3 transmite ao vivo o primeiro treino livre do GP Brasil. O canal exibe também, às 16h, a segunda sessão. Já a transmissão do terceiro treino livre, é no sábado (7), às 11h30.

Ainda no sábado, às 15h, a TV Globo, o sportv3 e o ge exibem ao vivo a classificação para a corrida em Interlagos. No domingo (8), a TV Globo exibe a corrida ao vivo a partir de 13h30, e a prova também terá transmissão do sportv3 e do ge, que acompanhará todas as atividades de pista em tempo real.

Em relação ao trabalho de Bortoleto em seu primeiro ano na Audi e segundo na F1, McNish destacou a maturidade do brasileiro – ponto também elogiado pelo líder de projeto do time na categoria, o italiano Mattia Binotto.

– Vi um grande desenvolvimento do Gabi desde o ano passado. Ele sabe que há um nível de responsabilidade diferente de ser um piloto da Audi, e não um da Sauber, e que isso exige uma maturidade maior. Ele não é um piloto que está apenas nos GPs. Está no simulador, na fábrica e trabalhando com o time como parte do crescimento do time. Nossa estratégia com ele sempre foi de longo prazo. Gabi está nos nossos planos desde que começou na F3, como um dos talentos que começamos a observar antes de formar a equipe atual (ainda como Sauber).

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Além da natural relação com o Brasil por conta de Bortoleto, McNish também contou ao ge uma história interessante com outro brasileiro: Ayrton Senna. O escocês era piloto de testes da McLaren e fez seu primeiro treino com o F1 da equipe em Estoril, tendo Senna como seu companheiro de time naquela sessão, em 1989.

– A primeira vez que eu andei em um carro da F1, ele estava no outro lado da garagem, dividindo o box da McLaren. Naquela época, você tinha alguns dados para seguir, como pedal de aceleração, pressão de freio e velocidade. Mas você não conseguia comparar tudo, então pegava dois pedaços de papel, colocava eles contra a luz e via a diferença nos traços. E eu ainda tenho esses papéis do teste com Senna guardados até hoje.

Ayrton já era campeão mundial e despertava a admiração dos jovens pilotos, mas McNish conta que sua impressão no teste tornou a imagem do brasileiro ainda mais espetacular.

– Senna era de uma forma na pista e de outra fora dela. Fora do circuito, era um grande ser humano. E muito, muito espiritualizado. Mas, quando estava na pista, era uma máquina. Havia algumas coisas que só ele podia fazer em um carro de corrida. Algo que você só olhava e não conseguia acreditar. Não conseguia acreditar como ele conseguia fazer coisas com aquele carro.

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O estilo de pilotagem de Senna também chamou atenção de McNish, que fez 17 GPs na Fórmula 1 e depois conquistou títulos importantes no automobilismo mundial, como o título de endurance e das 24 Horas de Le Mans, com equipes oficiais da Audi.

– Você via ele acelerar rápido naquelas primeiras curvas, jogava o carro e tinha uma aderência impressionante. E aí você via o tempo de corrida e pensava “caramba, de onde isso veio?'. Naquela época, você colocava um pneu de classificação, que durava uma volta, e você tinha um motor de classificação, que tinha significativamente mais potência para uma volta. E ele tinha a habilidade de encontrar essa velocidade e força na primeira saída, muito melhor do que qualquer outro. Outros levariam dois ou três voltas para ter o mesmo sentimento, mas ele tinha isso na primeira saída. E essa foi uma habilidade que eu acho que você pode até treinar, mas é coisa do talento natural dele.



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