Política
Flávio Bolsonaro e Lula focam em preço dos alimentos na propaganda
Programas desta terça (22) reforçaram estratégias dos candidatos e críticas entre as campanhas, na reta final antes do primeiro turno das eleições.
| G1 / VICTóRIA CóCOLO
As campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro intensificaram o confronto nas propagandas eleitorais desta terça-feira (22). As peças focaram no preço dos alimentos e trocaram críticas.
Flávio Bolsonaro criticou a gestão econômica de Lula e propôs criar presídios de segurança máxima. Lula focou em propostas econômicas e associou o adversário ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
O confronto ocorre em meio ao acirramento das pesquisas eleitorais. Conforme levantamento de segunda-feira (21), Lula tem 37% das intenções de voto, enquanto Flávio soma 33%.
Na reta final para o primeiro turno, as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) intensificaram o confronto nos programas eleitorais. As peças exibidas nesta terça-feira (22) exploraram narrativas opostas sobre o preço dos alimentos e trouxeram críticas diretas entre os candidatos.
Como mostrou o g1, a duas semanas do pleito, os candidatos ajustaram as estratégias de campanha para tentar conquistar os eleitores. O presidente deve reforçar a agenda social e econômica. O senador, por sua vez, busca ampliar sua votação no Sudeste, reduzir a vantagem do petista no Nordeste e apostar no discurso do voto útil.
As mudanças na campanha de Lula ocorrem principalmente em razão do avanço de Flávio nas pesquisas eleitorais. Pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (21) mostra Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados tanto no primeiro quanto em um eventual segundo turno. No primeiro, Lula tem 37% das intenções de voto, contra 33% de Flávio. No segundo, Flávio marca 42%, e Lula, 41%.
A propaganda do senador abriu o horário eleitoral desta terça— a ordem segue um rodízio entre os programas dos candidatos. Na peça, Flávio diz que Lula tenta atacá-lo e "confundir" o eleitor com informações que, segundo ele, seriam mentirosas. Flávio diz ainda que não pretende responder aos ataques e, sim, apresentar propostas.
"Da minha parte, você nunca viu o jogo baixo e nunca vai ver também", afirmou. "Agora, sabe porque o Lula, ao invés de dizer o que ele fez, ele fica falando tão mal de mim? A palavra é vergonha. Lula fala mal de mim porque não quer encarar a vergonha do Brasil ter hoje o recorde de brasileiros endividados de toda sua história. De quase todo mundo estar no sufoco, estar endividado com as contras atrasadas, sem conseguir encher o carrinho no supermercado. Porque o governo dele é uma vergonha", disse Flávio.
Em seguida, o candidato do PL direciona as críticas à situação econômica do país. Ele afirma que Lula não apresenta o que fez no governo e, em vez disso, concentra a propaganda em ataques contra ele. Flávio associa a gestão petista ao aumento do endividamento e às dificuldades das famílias para comprar alimentos e outros produtos.
A propaganda também apresenta propostas de segurança pública. Flávio promete construir cinco presídios federais de segurança máxima, bloquear celulares nas prisões, quadruplicar a pena por roubo de celular e reduzir a maioridade penal.
Na propaganda de Lula, o foco está em medidas econômicas e sociais. O programa apresenta como propostas o fim da escala 6 por 1, a ampliação do Pé-de-Meia, a criação da Rede Brasil contra o Câncer e a isenção de impostos sobre produtos da cesta básica.
A peça também procura associar Flávio ao governo de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O programa afirma que, durante a gestão anterior, houve aumento dos preços dos alimentos e dos combustíveis e critica a atuação dos Bolsonaro na área econômica.
“Durante o governo Bolsonaro, o preço dos alimentos disparou e eu vou te mostrar como isso afetou e ainda afeta a sua vida. O feijão e o arroz subiram mais de 45% e a fome voltou. O desemprego cresceu. Os bolsonaros privatizaram a preço de banana a distribuição e o refino de combustíveis, e o valor aumentou. Lula começou o trabalho de trazer de volta o poder de compra das pessoas. Mas você sente no seu bolso até hoje porque reconstruir leva tempo', afirma o presidente na propaganda.
Na fala, Lula tenta desconstruir os argumentos usados desde o início pela campanha do senador, combatendo a narrativa de que a vida dos brasileiros tenha piorado durante seu terceiro mandato.
Lula apresenta dados e medidas do atual governo para sustentar a mensagem de recuperação do poder de compra. O programa afirma que o salário mínimo passou a subir acima da inflação desde 2023, destaca a taxa de desemprego e cita medidas relacionadas à Petrobras e aos preços dos combustíveis.
A propaganda também destaca a reforma tributária e a promessa de zerar o Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. Em outro trecho, o programa contrapõe os governos dos dois candidatos com a frase: "Falar é Flávio. Fazer é Lula".
Briga pelo primeiro lugar
O confronto entre as duas propagandas ocorre em um momento de aproximação entre os dois candidatos nas pesquisas. Segundo a pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira (21), Lula aparece com 37% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% de Flávio. No segundo turno, os dois também aparecem tecnicamente empatados, com 41% para Lula e 42% para Flávio.
Neste momento, as campanhas passaram a concentrar a comunicação em temas com impacto direto na vida cotidiana do eleitor.
Lula também tenta deslocar o foco da crise envolvendo o STF, que dominou o noticiário político na semana passada e provocou desgaste eleitoral para a campanha. A equipe do presidente avalia que começou a mudar o foco do debate com o reajuste do Bolsa Família e o anúncio de que o SUS deverá passar a oferecer canetas para emagrecimento.
A campanha do senador pretende utilizar o período antes do pleito para tentar reduzir a diferença para o presidente Lula no Nordeste e ampliar sua votação no Sudeste. O candidato do PL deve continuar focando em pautas econômicas, como no programa eleitoral desta terça-feira, e também buscar crescimento entre o público feminino.
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